O Prof. Emérito Paulo Edmundo de Leers Costa Ribeiro, do Departamento de Física do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), recebeu com alegria a homenagem que a Sociedade Brasileira de Física (SBF) acaba de fazer a seu pai, Joaquim da Costa Ribeiro, ao batizar com seu nome o mais novo prêmio da SBF. Tendo sido um dos brasileiros pioneiros no estudo da Matéria Condensada e de Materiais, a primeira edição do Prêmio Joaquim da Costa Ribeiro está com inscrições abertas até 14/12/2018 para contemplar os melhores estudos na área. Podem concorrer pesquisadores brasileiros ou estrangeiros com pelo menos 20 anos de atuação profissional em universidades ou centros de pesquisa no Brasil. O regulamento do prêmio pode ser consultado aqui. “Dar o nome de meu pai a este prêmio é, além de tudo, um reconhecimento de seu trabalho em pesquisa e de sua contribuição para a ciência não só no Brasil como internacionalmente”, reforça o Prof. Paulo Costa Ribeiro, que estará presente na premiação, marcada para maio de 2019, em Aracaju, capital de Sergipe.

Em 1945, Joaquim da Costa Ribeiro descobriu o efeito termodielétrico, conhecido mundialmente como efeito Costa Ribeiro e que lhe valeu, em 1953, a maior distinção concedida em Ciências no Brasil: o prêmio Einstein, da Academia Brasileira de Ciências. O Prof. Paulo Costa Ribeiro conta como tudo aconteceu: “Enquanto trabalhava com alguns materiais dielétricos (isolantes elétricos sólidos), como o naftaleno e a cera de carnaúba (palmeira típica da região nordeste do Brasil), e eletretos (sólidos com carga elétrica quase permanente), meu pai observou pela primeira vez um efeito interessante. A fusão por aquecimento, sem aplicação de campos elétricos externos, fazia aparecer uma corrente elétrica no material isolante. Depois de solidificadas, as amostras permaneciam carregadas, constituindo eletretos. Em conclusão, para o eletreto se formar, bastava a natural solidificação do material dielétrico após ser derretido por aquecimento”.

Joaquim da Costa Ribeiro foi um dos fundadores do CNPq e seu primeiro diretor científico. Em seu currículo, consta também o título de um dos fundadores da Universidade do Brasil e catedrático na Faculdade Nacional de Filosofia, FNFi, hoje UFRJ. Seu laboratório de física foi o primeiro a ser criado no Brasil e nele formou-se uma geração de pesquisadores de importância fundamental para a física. Era um centro que congregava brasileiros e recebia visitantes estrangeiros durante os anos em que funcionou no prédio da antiga FNFi. Além disso, dava aulas em escolas do Ensino Médio, como o Instituto de Educação, para complementar sua renda e conseguir criar seus nove filhos. Dois deles seguiram a carreira do pai: o próprio Prof. Paulo Costa Ribeiro e seu irmão Sergio.

Sergio Costa Ribeiro teve um papel importante para o Departamento de Física da PUC-Rio, para onde foi em 1968. Lá fundou o Grupo da Matéria Condensada, montando toda sua infraestrutura técnica e laboratorial, por onde passaram duas dezenas de físicos. Teve uma grande liderança neste grupo, na formação de Doutores, que hoje estão em diferentes departamentos de Física do Brasil. A partir do convite da Fundação Cesgranrio em 1974 para coordenar o Vestibular Unificado, dedicou-se inteiramente à pesquisa em Educação. Trabalhou até 1995, quando faleceu.

Paulo, por sua vez, fez graduação e mestrado na área entre 1960 e 1967 na PUC-Rio, seu doutorado foi no CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) da Universidade de Grenoble, com conclusão em 1973, ano em começou a dar aulas na PUC-Rio. Em 2011, conquistou o título de Professor Emérito do Departamento de Física da Universidade. Ao longo de sua trajetória de cientista, fez importantes contribuições ao desenvolvimento da pesquisa científica na Física do Estado Sólido. Paulo Costa Ribeiro foi pioneiro no desenvolvimento do primeiro magnetocardiógrafo do mundo, semelhante ao eletrocardiógrafo, que mede o campo magnético do coração com o auxílio de um equipamento chamado Squid (Superconductor Quantum Interference Device). O professor também criou um método inédito para atestar a autenticidade de pinturas a óleo por meio da composição das tintas. A técnica, no estágio em que se encontra, não identifica o autor da obra, mas permite autenticar uma tela cuja autoria já seja conhecida.

O prêmio Joaquim Costa Ribeiro será concedido anualmente e entregue em sessão especial a ser realizada no Encontro de Outono da SBF (EOSBF). As indicações das candidaturas ao prêmio podem ser feitas por qualquer sócio ou grupo de sócios da SBF e devem ser encaminhadas exclusivamente por meio eletrônico (premiojcr@sbfisica.org.br) à Comissão de Área Física da Matéria Condensada e Materiais da SBF contendo os seguintes documentos (ambos em inglês): i) CV do candidato e ii) um texto descrevendo a contribuição do candidato para a Física da Matéria Condensada e Materiais.