No dia 19 de setembro, o auditório do Consultado Italiano, no Centro do Rio de Janeiro, foi palco de um encontro inédito entre pesquisadores italianos residentes no Brasil e representantes de empresas italianas que atuam no País. A lotação confirmou o interesse das duas partes em juntar forças para que as parcerias nascidas do encontro deem origem a soluções inovadoras e positivas para empresas e universidades dos dois países. Executivos da Firjan-Senai, Enel Green Power, Enel, Saipem, Bracco Imaging do Brasil, Tenaris do Brasil, Ternium, NanoBusiness Informação e Inovação Ltda., Telespazio S.p.A., TIM Brasil, Leonardo S.p.A. e Codemar S.A apresentaram suas principais áreas de atuação; enquanto que cientistas do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), UFRJ, USP, UnB, Fiocruz e Universidade de Firenze exibiram estudos recentes e linhas de pesquisa que podem atender às demandas do mercado brasileiro.

Na abertura do evento, o embaixador italiano Antonio Bernardini reforçou que hoje há cerca de 850 acordos entre os dois países e que a Itália tem muito a contribuir para fortalecer essa cooperação no desenvolvimento de temas prioritários aos dois governos. Marco Cremona, professor do Departamento de Física do CTC/PUC-Rio e membro do comitê dos pesquisadores organizadores do evento, seguiu na mesma linha: “o R2B se confirma como uma chance de se criar sinergia para aproximar dois lados (academia e indústria) que têm tudo para colaborar um com o outro.”

Em seguida, começaram as apresentações das áreas mais estratégicas: energias renováveis e ambiente; medicina e tecnologia dos alimentos; materiais avançados e nanotecnologias; astrofísica e engenharia aeroespacial; informática e telecomunicações. Oportunidade, responsabilidade, criatividade, inovação, tecnologia, investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), cidades inteligentes, sustentabilidade, energias renováveis, capital intelectual e pesquisa remunerada foram algumas das palavras-chave citadas ao longo das 29 apresentações do evento. Omar Pandoli, professor do Departamento de Química do CTC/PUC-Rio e membro do comitê dos pesquisadores organizadores, finalizou o evento com o desafio de fazer do R2B Research to Business um meio de mapear todos os pesquisadores italianos no Brasil, passando dos 14 presentes este ano para 25 na próxima edição, em 2020.

Após as apresentações, empresas e pesquisadores puderam se reunir individualmente para apresentarem propostas de parceria. “O País precisa de eventos assim, que unam ciência e tecnologia para melhorar a competitividade brasileira. É importante que, desde o início da pesquisa, o cientista se pergunte: aonde está o mercado para esse estudo?”, reforçou Miriam Guimarães Ferraz, gerente de projetos da coordenação de base tecnológica do Sebrae RJ. O cientista Antonio Petraglia concorda: “O R2B foi extremamente positivo: é a uma forma de vermos como podemos aplicar no mercado aquilo que desenvolvemos na universidade.” Ronaldo Pedro da Silva, também da UFRJ e sócio-fundador e pesquisador da NanoBusiness Informação e Inovação Ltda., chamou atenção para o fato do evento confirmar que há outras possibilidades de renda e que a parceria é benéfica para todos: “A universidade chega com a base tecnológica e as empresas têm condições de dar início a projetos de P&D com uma estrutura científica que elas não têm”, disse ele.

Para Gabriele Cosentino, Adido para Assuntos Econômicos e Comerciais do Consulado Geral da Itália, o R2B Research to Business foi um sucesso ao aproximar setores que nem sempre têm tempo e experiência em se procurar: “É uma mudança cultural que permite ver oportunidades que até então eram desconhecidas. Este é o primeiro passo, que, certamente, se concretizará em parcerias e desenvolvimento para o Brasil e para a Itália”, finalizou.