Estudo do CTC/PUC-Rio aponta que vantagens fiscais não garantem economia em logística de transporte

Em estudo de caso, que recebeu Menção Honrosa da CNI em 2015, aluno do mestrado profissional de transportes e logística do CTC/PUC-Rio analisou custos logísticos a partir de modelo matemático de uma empresa catarinense, considerando gestão tributária em rede de distribuição. Solução gerada pelo modelo apresentou uma potencial economia de R$ 170 milhões

No Brasil, a política tributária não segue um regimento único, o que permite aos Estados oferecerem incentivos fiscais a fim de atrair empresas para suas regiões. Entretanto, nem sempre a adoção por um determinado programa de incentivos traz vantagens nos custos logísticos totais para empresas, principalmente quando o centro de distribuição fica longe dos pontos de consumo. Essa foi a conclusão de um estudo do mestrado profissional em Transportes e Logística do Centro Técnico Científico da PUC-Rio, que recebeu Menção Honrosa no prêmio da Confederação Nacional da Indústria de Economia 2015, na categoria Efeitos das Políticas Fiscal e Tributária sobre a Competitividade.

Ao avaliar o impacto dos incentivos fiscais no desenho da rede de distribuição de uma empresa brasileira, que comercializa produtos químicos no Estado de Santa Catarina, o aluno Daniel Espírito Santo buscou uma solução para diminuir o custo logístico, considerando não apenas a carga tributária, mas também as despesas com frete, operação e manutenção dos centros de distribuição. Para isso, desenvolveu — sob orientação do professor Hugo Repolho, do Departamento de Engenharia Industrial — um modelo matemático de programação linear que incluiu como parâmetros as oportunidades criadas pela política tributária de cada estado analisada durante o estudo.

Segundo Espírito Santo, a solução gerada pelo modelo obteve menores custos totais para o novo desenho de rede em comparação com a rede atual, com uma economia potencial de R$170 milhões. “Os incentivos fiscais oferecidos pelo Estado de Santa Catarina, onde se concentravam os centros de distribuição da empresa analisada, não são suficientes para justificarem a permanência desses centros longe dos mercados de consumo, em sua maioria localizada no Estado de São Paulo”, justifica o aluno, que completa: “a redução de custos desta nova solução é superior a 100% dos atuais custos da empresa”.

Após a aplicação do modelo matemático, entendeu-se que a melhor condição para a empresa seria dividir a distribuição entre os dois estados, com centros localizados nas cidades de São Bernardo do Campo (São Paulo) e São Francisco do Sul (Santa Catarina). Apesar do bom resultado, a empresa em questão não optou pela solução indicada no estudo.

“O fator tributário é um aspecto que deve ser considerado na tomada de decisão do gestor da cadeia de suprimento. Entender como funciona a estrutura tributária de cada estado é essencial para avaliar os impactos sobre a cadeia logística, levando em conta as atividades e insumos para o atendimento dos clientes finais”, finaliza o professor.

Clique aqui para ver onde esse estudo já foi divulgado.