Uma equipe internacional de pesquisadores de 14 universidades e uma consultora canadense — tendo como representante brasileiro o Prof. Marcos Kalinowski, do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio) — lançou em março  a pesquisa “Pandemic Programming” (Programação Pandêmica). Direcionada aos profissionais de TI mundo afora, ela buscou avaliar o  impacto do home office —imposto devido à pandemia de COVID-19 — na produtividade e bem-estar dos profissionais da área de software (desenvolvedores, analistas de requisitos, gerentes de projetos de software, designers de UX/UI etc.). Os resultados confirmam que estes profissionais estão experimentando diminuição do bem-estar emocional e da produtividade com a prática de home office decorrente do isolamento.

Lançado em 12 idiomas e contando com respostas de mais de dois mil profissionais de cerca de 50 países, o estudo identificou como os ambientes e situações de trabalho atuais estão afetando os profissionais de software em todos os setores. O estudo utilizou inicialmente um teste estatístico não paramétrico simples para confirmar que os desenvolvedores tiveram pioras no bem-estar e na produtividade. Depois foi proposto um modelo teórico com diversas hipóteses mais detalhadas associadas a trabalhos relacionados a medo da pandemia, preparação para desastres, ergonomia, bem-estar, e produtividade etc.. Por último, aplicaram estatísticas mais elaboradas (modelagem de equações estruturais) para testar as hipóteses.

O trabalho remoto, de forma não planejada, confirma que a falta de preparação para desastres, o medo relacionado à pandemia e a ergonomia do espaço de trabalho doméstico estão agravando a redução do bem-estar e da produtividade dos profissionais. A pesquisa revelou ainda que mulheres, pais e pessoas com deficiência podem ser afetados desproporcionalmente.

A distribuição da população atingida pela pesquisa ficou em: 

  • 81% homem, 19% mulher 
  • 94% trabalhando em tempo integral
  • Média de idade 30-34 anos
  • Participantes com boa formação 
  • A maioria, 53%, vive com um adulto, 18% vivem sem outros adultos e o restante vive com duas ou mais pessoas
  • 12,8% informaram ter alguma limitação que afeta seu trabalho
  • Experiência média dos profissionais foi de 9,3 anos
  • 58% dos respondentes não tinham nenhuma experiência trabalhando de casa 
  • Do total de 2225 respostas válidas, 272 foram do Brasil (12,2%)

A equipe internacional de pesquisadores apresentou os resultados ao periódico científico Empirical Software Engineering e ao portal arXiv. O grupo pretende fazer recomendações práticas para a indústria de software ao gerenciar equipes que trabalham de casa durante isolamento social agora e potencialmente no futuro, para melhorar o bem-estar e a produtividade dos funcionários.