O Centro de Estudos em Telecomunicações (CETUC), que faz parte do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), lidera uma iniciativa de desenvolvimento de um oxímetro (aparelho que mede a taxa de oxigenação no sangue e frequência cardíaca) equipado com um circuito eletrônico e um sensor capaz de se conectar via wi-fi e enviar os dados do paciente a uma central médica, para acompanhamento remoto. Uma rede de 15 pesquisadores da PUC-Rio, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Inmetro submeteu o projeto em abril aoEdital de Seleção Emergencial I, Prevenção e Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, da Capes, cujo resultado sai dia 1º de junho.

A inovação do projeto está em conectar o oxímetro a uma rede sem fio (rede LoraWAN), sem que o paciente tenha acesso aos dados, apenas os médicos. Segundo os pesquisadores, o paciente sequer precisa ter uma rede wi-fi em casa para o equipamento funcionar. Os dados podem ser tratados por meio de algoritmos de inteligência artificial para antecipar a necessidade de atendimento a uma pessoa com suspeita de hipóxia silenciosa causada por COVID-19. “A detecção precoce desse fenômeno através de um oxímetro permite ao médico iniciar um tratamento mais rápido e eficiente da doença, sem a necessidade de se aguardar o resultado de um teste de coronavírus em um hospital ou consultório médico”, reforça Marco Antonio Grivet, professor do CETUC e coordenador do projeto. De acordo com ele, as informações enviadas seriam na forma de um gráfico evolutivo do nível de oxigênio de cada paciente em uma linha do tempo, com alarmes automáticos para chamar a atenção de eventuais casos críticos.

O mentor do projeto Marcelo Balisteri, supervisor de redes do CETUC/PUC-Rio, percebeu a necessidade urgente de ajudar a quem está doente da COVID-19: “Através de uma solução envolvendo Internet das Coisas, desenvolvemos um sensor de oximetria capaz de coletar e enviar dados de leitura de forma automática, segura e integrada por meio de um modem LPWAN, utilizando a tecnologia de transmissão LoraWAN, semelhante a uma rede celular e de baixíssimo custo, com o propósito de servir a dispositivos de sensoriamento remoto”. Rodolfo Saboia, chefe da Divisão de Metrologia em Tecnologia da Informação e Telecomunicações do Inmetro, ressalta: “O Inmetro participará de várias etapas do projeto. Principalmente nas avaliações de calibração de sensores e na segurança das informações transmitidas, relativo à confiabilidade dos resultados e privacidade, entre outras”.

Sendo aprovado no Edital da Capes, o projeto passará para a fase de Prova de Conceito, quando será possível oferecer o protótipo a potenciais patrocinadores, assim como aos interessados na produção industrial do oxímetro para futura disponibilização e teste em hospitais clínicas e centros comunitários. O projeto prevê ainda a disponibilização gratuita de um guia de construção e configuração do dispositivo. “Longo alcance, fácil implementação, bateria de longa duração (dez anos), baixo custo, baixo consumo de energia e segurança de dados foram as premissas do projeto”, explica Grivet.