Em sua primeira Nota Técnica, de 16 de março, o Núcleo de Operações e Inteligência e Saúde (NOIS) projetou que, no cenário mais pessimista, o Brasil teria no dia 23/03 (segunda) 1.979 casos de coronavírus. Uma variação de apenas 4,4% acima do total de 1.891 casos confirmados pelo Ministério da Saúde ontem, às 16h. Em função da dinâmica constante em relação aos dados informados oficialmente dia a dia, o NOIS atualizou seus números em seu quarto estudo denominado NT4: “Projeção de casos de infecção por COVID-19 no Brasil até 30 de março de 2020” e estima que, neste mesmo cenário pessimista, mais de 11.500 casos serão notificados até segunda que vem.

Figura 7. Predição do número de casos de COVID-19 no Brasil de 21/03/2020 a 30/03/2020 (cenário otimista, mediano e pessimista).

Os estados de RJ e SP continuam concentrando o maior número de casos no país. São Paulo pode chegar a até 5.059 casos, no cenário mais pessimista. O estado, no entanto, caiu de 68% (projeção da NT1 do NOIS) para 43% das estimativas nacionais da doença. O Rio de Janeiro, por sua vez, pode ter um crescimento de 482% nos casos, chegando a 1.392 no pior cenário.

Figura 8. Predição do número de casos de COVID-19 no Estado de São Paulo de 21/03/2020 a 30/03/2020 com cenários pessimista, mediano e otimista.

Figura 9. Predição do número de casos de COVID-19 no Estado do Rio de Janeiro de 21/03/2020 a 30/03/2020 (cenário pessimista, mediano e otimista).

O NOIS fez as projeções a partir do Dia 0 no Brasil, datado de 11 de março, quando o número de casos estava acima de 50. As primeiras medidas de contenção começaram a ser implementadas quase uma semana depois, no dia 17. Conforme apresentado na Nota Técnica 3, essas ações irão começar a influenciar na desaceleração da taxa de crescimento do número de casos dentro de uma ou duas semanas da data de sua aplicação, pelo que se observou em outros países. Todas as análises e gráficos brasileiros da Nota Técnica 4 foram comparados com outros países, tendo o Dia 0 como mesmo ponto de evolução.

Figura 5. Comparação dos 9 primeiros dias de crescimento da epidemia de COVID-19 no Brasil com outros países (a partir do dia que registrou o 50º caso), em escala logarítmica.

Fonte: Ministério da Saúde obtidos em https://www.kaggle.com/unanimad/corona-virus-brazil e World Health Organization, dados providos pela John Hopkings University em https://github.com/CSSEGISandData/COVID-19

A taxa de crescimento do coronavírus no Brasil, em comparação com o resto do mundo, tem sido menor. O NOIS, no entanto, acredita que isso se deve à subnotificação, a um baixo volume de testagem e à demora nos resultados dos testes de confirmação da doença, fazendo com que os valores reportados pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias Estaduais estejam abaixo do que eles são na realidade.

O NOIS é um grupo de pesquisa formado por profissionais de diversas instituições: Departamento de Engenharia Industrial, PUC-Rio, Instituto Tecgraf, PUC-Rio, Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal), Espanha, Divisão de Pneumologia, InCor, Hospital das Clínicas FMUSP, Universidade de São Paulo, Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino – Rio de Janeiro e Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). As análises e previsões aqui divulgadas representam as opiniões dos autores envolvidos no estudo e não necessariamente das instituições às quais são associados.

Mais informações em https://sites.google.com/view/nois-pucrio e no Twitter do NOIS: https://twitter.com/NOIS_PUCRio.