Em sua 10ª Nota Técnica “Evolução da epidemia de COVID-19 no Brasil até 04 de maio de 2020”, o NOIS compara as taxas de crescimento e de letalidade da COVID-19 do Brasil com outros 39 países, além de fazer um comparativo do País com outros da América do Sul. A NT10 também mostra a evolução da doença nas diferentes regiões do Brasil. Ela é baseada em dados oficiais e, por isso, a subnotificação de casos confirmados e óbitos é uma limitação da pesquisa.

Os estudos do NOIS comparam o Brasil com outros países atingidos pela COVID-19, tendo como parâmetro inicial (Dia ZERO – D0) quando foram alcançados no mínimo 50 casos da doença pela primeira vez. Para avaliar a taxa de crescimento e letalidade no Brasil, o NOIS comparou a evolução no País com a de outros países, quando todos estavam no período de D33 a D53 (21 dias). De acordo com a base de dados da John Hopkins University utilizada nesta NT10, no Brasil, essa fase contemplou as datas entre 14/04 e 04/05.

As tabelas inseridas no estudo devem ser analisadas conforme a orientação abaixo:

  • Linha pontilhada inferior – 25% dos países com menores taxas de crescimento
  • Linha mediana, mais grossa – 50% dos países com taxas medianas de crescimento
  • Linha pontilhada superior – 25% dos países com as mais altas taxas de crescimento

Evolução do número de casos e de óbitos preocupa

A taxa de crescimento é calculada conforme o aumento percentual ocorrido de um dia em relação ao dia anterior; quanto maior esta taxa, maior o acréscimo de casos confirmados entre os dois dias. Para a NT10, o NOIS comparou a evolução da doença no Brasil com a de outros 39 países: Alemanha, Austrália, Áustria, Bahrein, Bélgica, Canadá, Catar, China, Coreia do Sul, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes Unidos, Eslovênia, Espanha, EUA, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Índia, Irã, Iraque, Islândia, Israel, Itália, Japão, Kuwait, Líbano, Malásia, Noruega, Portugal, R. Tcheca, R. Unido, San Marino, Singapura, Suécia, Suíça e Tailândia.

No período pesquisado, era esperada uma suavização das curvas de crescimento de novos casos e, consequentemente, a diminuição da taxa de crescimento. Em D33, o valor mediano dos países era de 4,3% ao dia, e ao chegar no D53 esse valor reduziu para 1,6%. Para os mesmos pontos, o Brasil alcançou uma taxa 7,8% (em 14/04) e 6,7% (em 04/05), respectivamente. Ou seja, não houve uma redução significativa, como observada nos demais países e o número de casos no Brasil cresceu mais que a taxa mediana dos países. A partir de 23/04 (D42), o Brasil teve uma taxa de crescimento acelerada, entre os 25 % piores países, sendo que, nos dias 25/04 (D44) e 30/04 (D49), o País foi o de maior taxa de crescimento entre os comparados.

No que diz respeito aos óbitos, a situação se repete: o Brasil apresenta taxas dentre os piores países pesquisados. Para este estudo, o NOIS comparou as taxas brasileiras com a de outros 30 países que tinham mais de 50 mortes confirmadas no dia 14/04: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, China, Coreia do Sul, Dinamarca, Egito, Eslovênia, Espanha, EUA, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Índia, Irã, Iraque, Israel, Itália, Japão, Malásia, Noruega, Portugal, R. Tcheca, R. Unido, Suécia e Suíça.

Nos dias 16, 17 e 28/04/2020, o Brasil foi o país com o maior crescimento na taxa de letalidade, o que mostra um aumento considerável do número de óbitos, caracterizando uma situação extremamente preocupante para o País. A taxa de letalidade do Brasil se manteve, nestes 21 dias, muito próxima, colocando o País está entre os 25% piores dos países analisados. Além disso, houve uma tendência de aumento na taxa de letalidade do Brasil nos últimos dias, de 6,1% (14/04/2020) para 6,8% (04/05/2020), o que representa um cenário negativo para o país, mostrando que é um dos países onde a epidemia cresce mais rápido.

Comparativo com países da América do Sul

O Brasil está em 1º lugar na taxa de letalidade e 2º em crescimento na América do Sul. É o que mostra o comparativo com outros nove países do continente: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Em crescimento da doença, perde apenas para o Peru. Este país, no entanto, apresenta baixas taxas de letalidade como resultado do alto índice de testagem e, em consequência, a mais baixa taxa de subnotificação entre os países estudados. O Uruguai se destaca como o que apresenta as menores taxas de crescimento e um maior controle da doença.

O Brasil tem a maior mediana da taxa de letalidade dentre os países, o que sugere que, além de sobrecarga do sistema de saúde, o país pode estar apresentando altas taxas de subnotificação, como mostrado na NT7 do NOIS.

Crescimento da doença no Brasil, RJ e SP

De 14/04 a 04/05, a taxa de crescimento diária de casos confirmados de COVID-19  no Brasil oscilou em torno de 7%, não sendo possível perceber tendência de decrescimento nítida. Isso indica que o Brasil e suas regiões ainda não atingiram o pico de novos casos.

A região Sul apresentou as menores taxas de crescimento em relação às outras regiões nas duas primeiras semanas, mas já na última semana a situação piorou e a média foi semelhante ao do resto do país. Já a região Norte manifestou o maior crescimento do número de casos nas três semanas. Dentre todas as localidades analisadas, a única que apresenta sinais de decrescimento é a região Nordeste, com uma queda de aproximadamente 4% da primeira para a terceira semana.

Em relação aos óbitos, o RJ apresentou a maior taxa nos últimos dias, seguida de SP e do Sudeste em geral, impactando no aumento da taxa de letalidade geral do Brasil e sendo também onde foram registrados os primeiros casos da doença no País. As regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram taxas bem abaixo da média nacional, enquanto Norte e Nordeste estão próximas entre si e também da média brasileira.

Mais informações em https://sites.google.com/view/nois-pucrio e no Twitter do NOIS: https://twitter.com/NOIS_PUCRio.

O Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS) é um grupo de pesquisa formado por profissionais de diversas instituições: Departamento de Engenharia Industrial/PUC-Rio, Instituto Tecgraf/PUC-Rio, Marketing & Analytics/BizCapital, Rio de Janeiro, Brasil, Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal), Espanha, Divisão de Pneumologia/InCor, Hospital das Clínicas FMUSP, Universidade de São Paulo, Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, Rio de Janeiro, e Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As análises e previsões aqui divulgadas representam as opiniões dos autores envolvidos no estudo e não necessariamente das instituições às quais são associados.