Fazer uma pós-graduação no exterior significa apostar em uma formação diferenciada para se destacar profissionalmente. É a garantia de contato com novas culturas, networking internacional e aumento da empregabilidade, além de também amadurecimento profissional e pessoal. Conforme informações da Pesquisa Selo Belta 2019, já são mais de 300 mil brasileiros estudando fora e, a partir de setembro, ex-alunos de diferentes graduações do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio) estarão nesta estatística.

Entrevistamos alguns deles e confirmamos que o desempenho de todos na graduação e nos processos seletivos para a pós-graduação, muitas vezes extenuantes, foram determinantes para o sucesso na aprovação das respectivas universidades. De acordo com os depoimentos dos próprios candidatos, formação de elevada qualidade na graduação, alto potencial de desenvolvimento, capacidade de adaptação, perfil de liderança e independência estão entre as características que as universidades estrangeiras costumam valorizar nesses processos seletivos.

  • Augusto Bandeira de Mello Ferreira, de 26 anos, terminou sua graduação em Engenharia de Produção e está pronto para começar em outubro seu Mestrado em Smart Cities (Cidades Inteligentes), na Universidade de Girona, na Espanha. Sua experiência em estudar no exterior inclui um ano de sua graduação pelo programa Ciência Sem Fronteiras, em 2014, quando cursou dois semestres na Universidade de Derby, na Inglaterra. Sua intenção, após o mestrado (que termina em setembro de 2020), é ingressar em alguma instituição europeia (pública ou privada) que tenha ampla participação em projetos de cidades inteligentes e abordar de forma prática as principais tecnologias utilizadas, como Internet das Coisas (IoT), Biga Data, Inteligência Artificial e Blockchain.
  • Com apenas 23 anos, David Gonzalez Stolnicki, vai cursar Doutorado em Matemática na Università Sapienza di Roma, na Itália, tendo conquistado a única bolsa de 20 mil euros/ano para alunos estrangeiros. Suas aulas começam em novembro e ele vai estudar teoria de regularidade para equações diferenciais parciais elípticas. Segundo o aluno, trata-se de estudar o que pode ser dito sobre soluções de problemas só pelo fato de se serem soluções, não sendo necessário resolver o problema de forma explícita. Além de matemático, ele também é formado em Engenharia Elétrica e fez Mestrado em Matemática, tudo na PUC-Rio.
  • A pública nº 1 dos EUA, University of Illinois at Urbana-Champaign, recebe no final de agosto o jovem Igor Albuquerque de Araújo, de 22 anos para o curso de Doutorado em Matemática. Com a garantia de 100% de bolsa com relação aos custos da pós e ainda um salário como professor assistente, Igor pretende dar continuidade aos seus estudos do Mestrado que tratam da Teoria de Grafos. Com um processo seletivo bastante concorrido (a cada sete candidatos, apenas um é aceito), a pós dura cinco anos (até 2024) e Igor já tem em mente seguir a carreira de pesquisador e professor universitário no Brasil.
  • Em 2018, durante o seu mestrado em Engenharia de Materiais, Isabella Loureiro Muller Costa passou cinco semanas no S. Army Aberdeen Proving Ground, em Maryland (vídeo no link), laboratório do exército americano que fechou parceria com a PUC-Rio para pesquisa em materiais cerâmicos. Ela agora se prepara agora fazer seu Doutorado, também em Engenharia de Materiais, na Universidade da California, em Davis, nos EUA (que ficou em 59º lugar entre todas as universidades segundo o THE, World University Rankings, 2019). Após um longo e cansativo processo seletivo, Isabella, de 27 anos, conseguiu bolsa integral, cobrindo taxas e plano de saúde e ainda terá direito a um salário para arcar com as despesas até o fim do curso, em 2023. Seguindo a linha que começou no mestrado na PUC-Rio, ela vai trabalhar no desenvolvimento de cerâmicas transparentes de elevada resistência, ciente de que muitas empresas estão em busca de profissionais capacitados no desenvolvimento de novas tecnologias e caracterização de materiais. A ida em setembro terá uma motivação a mais: seu marido segue com ela para o EUA, aonde vão morar juntos durante o doutorado.
  • Após de ter concluído a graduação em Engenharia de Produção em 2018, Olga Campos Saadi, 24 anos, será uma das brasileiras no Mestrado em Design Impact (que une Engenharia Mecânica e Design) da Universidade de Stanford, nos EUA, a terceira melhor do mundo. As aulas começam em setembro e o exaustivo processo seletivo lhe garantiu 50% de bolsa e a chance de pagar a outra metade trabalhando na universidade. Olga é fluente em inglês (fez um semestre de sua graduação em um intercâmbio pela PUC na University of Leeds, na Inglaterra) e segue para os EUA certa do que quer fazer: trabalhar com próteses médicas em 3D que unam design, eficiência, durabilidade e baixo custo. No Brasil, criou o Projeto Mão Dada, que desenvolve próteses dos membros superiores para crianças, e, para ingressar na pós, se inspirou nos vendedores de mate das praias cariocas e criou uma mochila ergonômica que ainda aproveita a energia solar para abastecer o sistema de resfriamento e manter a bebida sempre gelada.
  • Um casal apaixonado que, da graduação, segue em setembro junto para diferentes pós-graduações no exterior. Catarina Ramos Teixeira e Pedro Belfort, ambos de 25 anos, se prepararam para seis universidades, passaram em duas e escolheram Glasgow, na Escócia, para estudarem finanças e tecnologia, respectivamente. Ela vai para o Mestrado em Finanças da Universidade de Strathclyde e ele, para o Mestrado em Desenvolvimento de Softwares da Universidade de Glasgow. Os dois já formados desde 2017 em Engenharia de Produção, tiveram a oportunidade de estudarem, através de um intercâmbio da PUC, durante um ano da graduação na Universidade de Wisconsin, em Madison, nos EUA. Eles seguem para a Escócia ainda sem projetos definidos, mas com 100% de foco no mercado de trabalho e o desenvolvimento profissional. Catarina conta que o curso já tem um viés mais de mercado e que a universidade tem parceria com diversas empresas, cujos problemas financeiros são estudados na pós-graduação. Do lado dele, Pedro reforça que a Universidade de Glasgow tem parceria com Amazon, J.P. Morgan, Adobe e Red Hat para produzir os melhores profissionais do mercado de tecnologia do Reino Unido.
  • Da graduação direto para o Doutorado na França. Isso mesmo! Ricardo Rabello de Castro, 23 anos, começa em outubro o seu Doutorado em Engenharia Mecânica na Universidade de Orléans. Um bolsa de 1.400 euros mensais, dada pelo governo francês, permitirá sua pesquisa em motores a combustão interna. Sua proposta é reduzir a utilização de combustíveis fósseis (carvão mineral, gás natural e/ou petróleo) na geração elétrica, ao substituir o gás natural por gás de biomassa em motores a diesel dual-fuel (semelhantes aos flexs nos carros, já que permitem o uso de mais de um tipo de combustível). Ao unir engenharia e sustentabilidade, Ricardo esperar chamar atenção da indústria, que costuma valorizar profissionais formados com pós no exterior.